O que aconteceu com os 26 domínios .com.br de uma letra
Descoberta · 26 letras, de 1996 a 2026
Atualizado em
Só b, e, n, s e x.com.br existem. h, p e z.com.br tiveram site nos anos 90 e sumiram. As outras letras não podem ser registradas por ninguém.
De a.com.br a z.com.br, só cinco
existem hoje: b, e, n,
s e x.com.br, todos registrados em 1996 e 1997.
Outros três tiveram site nos anos 90 e sumiram:
h, p e z.com.br. Para as 21 letras
que não existem, o Registro.br responde a mesma coisa:
"Domínio inválido". Não é "livre": ninguém consegue
registrar, nem pagando.
A regra que barra é antiga. Desde a Resolução CGI.br 001/98, o nome de um
domínio .br tem de 2 a 26 caracteres. Os cinco sobreviventes
são de antes dela e continuam pagos.
As 26 letras, uma a uma
Cada letra tem a sua página, com as telas que o Internet Archive guardou e, para as cinco que existem, quem é o dono hoje.
| Letra | Hoje | O que o arquivo guardou |
|---|---|---|
b | registrado | empresa de internet e shopping virtual, de 1998 a 2018 |
e | registrado | guia de hotéis e pousadas, de 2005 a 2020 |
n | registrado | provedor de internet em 1999, empresa de telefonia de 2003 a 2019 |
s | registrado | empresa de software, de 2010 a 2012 |
x | registrado | portal e depois buscador, de 1998 a 2010 |
h | inválido | loja de informática, em 1997 |
p | inválido | cartão-ponto eletrônico, em 1998 e 1999 |
z | inválido | agência de publicidade, de 1996 a 2005 |
| as outras 18 | inválido | nada; m não pôde ser conferido |
"As outras 18" são a, c, d, f, g, i, j, k, l, m, o, q, r, t, u, v, w e y. Não ter cópia no Internet Archive não prova que um nome nunca existiu: o arquivo começou em 1996 e guardou pouco dos primeiros sites.
Os cinco que ainda existem
x.com.br, o mais antigo, de 22/11/1996, de uma pessoa física. De 1998 a 2004 foi um portal chamado "Xcombr - Seu canal com o mundo"; de 2007 a 2010, "X.com.br - Busca na internet", um buscador "em beta-teste". Depois disso o arquivo só guardou páginas de outros sites no mesmo endereço, o que acontece em servidor compartilhado. Hoje não abre página. Pago até 2027.s.com.br, de abril de 1997, da VS Sistemas de Informação. Em 2010 anunciava "sistemas exclusivos para a gestão de shopping centers"; em 2012 o site se apresentava como "Victor & Schellenberger". Hoje não tem site. Pago até 2027.b.com.br, de julho de 1997, de uma pessoa física. Em 1999 era "Business Internet Solutions"; de 2002 a 2005, "Shopping b", ligado a um provedor de internet; de 2008 a 2018, "O maior shopping center virtual". O DNS parou de responder em dezembro de 2018. Pago até 2027.n.com.br, de julho de 1997, da FCI Brasil Telecomunicações Ltda, empresa que a Receita Federal dá como baixada desde 1998. Em 1999 anunciava um provedor de internet, a MTECnet; de 2003 a 2019 foi o site da NCom, de telefonia e centrais Siemens, cujas páginas antigas ainda estão no ar. Desde 2019 a página inicial diz "site em construção". É o que está pago por mais tempo: até 2032.e.com.br, de setembro de 1997, de uma pessoa física. Foi "em construção" em 2002 e, de 2005 a 2020, um guia de hotéis, pousadas e passagens ("E.COM.BR - Guias e Listas"). De 2023 a 2025 mostrou o aviso de que o serviço de DNS tinha vencido. Pago até setembro de 2027.
Os três que existiram e sumiram
z.com.brtinha, em dezembro de 1996, o site da "Z.Publicidade", feito no FrontPage, com a barra do navegador rolando "Bem-vindo internauta à Z. Web Site". De 2003 a 2005 redirecionava paraz-ogilvy.com.br. Depois, nada. Lá fora,z.comfoi vendido pela Nissan por quase US$ 6,8 milhões em 2014; aqui,z.com.brnão pode mais ser registrado.p.com.brera, em dezembro de 1998 e fevereiro de 1999, a "computop/infotop", de "controle de acesso por cartão-ponto eletrônico, crachás, por leitores óticos, tarja magnética".h.com.brera, em 1997, a "Antares Online": cadastro pela internet, "novidades sobre hardware, software e internet, selecionadas semanalmente" e promoções de micros e periféricos.
Quem eram os donos, não dá para saber: o Registro.br não publica o
histórico de titulares. O motivo exato do fim também não está escrito.
Em 1998 o CGI.br mandou congelar e liberar 2.025 domínios que não tinham
atualizado o cadastro e cancelar outros 3.535 que não o fizessem até 28
de agosto, e h.com.br pode ter caído aí. p e
z passaram dessa limpeza e sumiram depois.
E se um dos cinco vencer?
Nenhuma regra fala de domínio de uma letra. O que se vê é o resultado:
h, p e z.com.br deixaram de existir
e hoje o Registro.br os chama de inválidos, não de livres. Pelo que
aconteceu com eles, um nome de uma letra que deixa de existir não volta
numa rodada de liberação, como um domínio comum voltaria: fica
impossível de registrar. Dá para acompanhar o vencimento de cada um na
ficha Quando volta.
Dá para comprar um domínio de uma letra?
Só um dos cinco, e só se o dono quiser vender. Os cinco estão pagos até 2027 ou depois, e nenhum passou pelas 109 rodadas de liberação de 2017 a 2026. O caminho é o de qualquer domínio com dono: achar o titular, negociar e trocar a titularidade no Registro.br, como explicado em como conseguir um domínio .com.br que já tem dono.
E no resto do mundo?
Em .com, .net e .org, os nomes de
um caractere foram reservados em dezembro de 1993, e só seis já existiam
antes: q.com, x.com, z.com,
i.net, q.net e x.org, segundo a
ICANN. Elon Musk recomprou x.com do PayPal em 2017. Entre os
domínios de país, 60 de 249 (24%) tinham ao menos um nome de um caractere
numa contagem de fevereiro de 2007. No .br, a regra de 2
caracteres segue valendo.
Qual o menor domínio .com.br que ainda aparece?
Dois caracteres. Nas 109 rodadas, de 10,4 milhões de .com.br
distintos, 559 tinham 2 caracteres: 295 só de letras e
264 com número, como 0a ou 3d. Os 295 de duas
letras já têm dono, como conta
Todo .com.br de duas letras
que voltou ao mercado já tem dono. No outro extremo, 54.324 tinham o
máximo de 26 caracteres. As regras de tamanho, número e acento estão em
Perguntas.
Verificado em 14 e 15/09/2026 na consulta de disponibilidade do
Registro.br e no RDAP (rdap.registro.br), nas 26 letras, nas
13 letras acentuadas (é e ê.com.br levam a
e.com.br) e nos 10 dígitos; no Internet Archive, com a
página inicial de cada letra; e nas resoluções e atas do CGI.br de 1998.
Fora do Brasil: documento da ICANN de 27/02/2008 sobre nomes de um
caractere, e a venda de z.com noticiada pelo Domain Name
Wire em 21/11/2014. Nomes de pessoas físicas ficam fora desta página,
mesmo sendo públicos na consulta do Registro.br.